MERCADO AGUARDA MAIS CORTE NA PRODUÇÃO DE CELULOSE

Postado em: setembro 3, 2019

 MERCADO AGUARDA MAIS CORTE NA PRODUÇÃO DE CELULOSE

 Mercado aguarda mais corte na produção de celulose

27/08/2019 – 05:00
Por Stella Fontes

O ritmo lento de ajuste nos estoques globais, que seguem elevados, a manutenção da trajetória de queda dos preços
internacionais e as incertezas decorrentes da guerra comercial entre Estados Unidos e China devem levar mais produtores
de celulose a anunciar paradas estratégicas em fábricas ou o prolongamento de paradas programadas para manutenção,
segundo fontes graduadas da indústria.
De acordo com uma das fontes ouvidas pelo Valor, há rumores de que produtores europeus de fibra curta e de fibra longa
estão parando linhas de produção sem revelar a estratégia publicamente. Com iniciativas dessa natureza, os produtores
tentam reequilibrar o mercado pelo lado da oferta, já que a demanda ainda não deu sinais concretos de retomada.
Por enquanto, dois produtores de fibra longa, a russa Ilim e a canadense Canfor, anunciaram paradas de mercado que não
estavam previstas no calendário oficial, e a fábrica OKI, a maior da Asia Pulp & Paper (APP), dedicada a fibra curta,
também estaria passando por uma parada "técnica". A unidade, que fica em Sumatra, tem capacidade nominal de 2,8
milhões de toneladas por ano de fibra.
A Suzano, que é a maior produtora mundial de celulose de eucalipto, foi a primeira a adotar medidas efetivas para reduzir a
produção neste ano, uma vez que é dona da maior parte dos estoques no sistema. Recentemente, informou que a produção
total ficará em 9 milhões de toneladas no ano, ante 10,3 milhões em 2018.
A CMPC, por sua vez, confirmou que avalia estender as paradas programadas na linha 1 de Guaíba (RS) e em Laja, no
Chile, previstas para o quarto trimestre. Além disso, se o mercado não reagir, paradas previstas para o início de 2020
poderão ser antecipadas para este ano, informou o executivo que lidera a área de celulose do grupo, Jaime Argüelles, há
duas semanas.
Há grande expectativa também em relação à chilena Arauco, que poderia dar sinais na mesma direção na teleconferência
de hoje da controladora Copec, para comentar os resultados do segundo trimestre.
Segundo pesquisa da consultoria Foex, o preço líquido da tonelada da fibra curta no mercado chinês recuou US$ 1,51 na semana passada, para US$ 484,60, enquanto na Europa a baixa foi de US$ 4,30, para US$ 800,73 por tonelada. No mês
passado, segundo a Fastmarkets RISI, os preços da fibra curta ficaram entre US$ 500 e 550 por tonelada na China e em
US$ 861,74 a tonelada na Europa.

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